Responder de forma focada
Uma revisão sistemática costuma ser candidata quando a pergunta é bem delimitada e a revisão exige busca, seleção, avaliação e síntese explícitas e rastreáveis.
Escolha o método de revisão pelo alinhamento entre pergunta de pesquisa, propósito, escopo, características das evidências, rigor exigido e viabilidade. Revisões sistemáticas, de escopo e narrativas respondem a funções diferentes; primeiro elimine métodos que não conseguem produzir o tipo de resposta necessário e só depois compare as opções compatíveis pelos mesmos critérios.

Escolha orientada por função
Assistente de decisão: escolha pelo alinhamento, não pelo rótulo
Comece pela atividade que a revisão precisa cumprir. Os perfis abaixo ajudam a formar uma lista curta, mas a decisão final só é defensável quando o método também passa pelos seis critérios de alinhamento.
Responder de forma focada
Uma revisão sistemática costuma ser candidata quando a pergunta é bem delimitada e a revisão exige busca, seleção, avaliação e síntese explícitas e rastreáveis.
Mapear o campo
Uma revisão de escopo costuma ser candidata quando o objetivo é caracterizar a extensão, os tipos de evidência, os conceitos ou as lacunas de um campo amplo, heterogêneo ou emergente.
Interpretar e contextualizar
Uma revisão narrativa pode ser candidata quando a finalidade principal é integrar perspectivas, explicar relações ou construir uma síntese conceitual; o escopo e a seleção da literatura ainda precisam ser transparentes o suficiente para que a síntese possa ser avaliada.
Regra de decisão: descarte candidatos que falhem em um requisito essencial. Se nenhum método adequado for viável, revise escopo, recursos, cronograma ou a própria pergunta antes de escolher uma abordagem incompatível apenas por conveniência.
O rótulo do método, isoladamente, não resolve a decisão: uma revisão focada, de mapeamento ou interpretativa impõe capacidades diferentes, e a adequação pode mudar conforme a base de evidências e as restrições práticas.
A escolha do método também é distinta das decisões posteriores sobre critérios de inclusão e exclusão e sobre a estratégia de busca; essas etapas devem ser definidas depois que a abordagem de revisão estiver justificada.
A pergunta de pesquisa, o propósito da revisão e o escopo devem ser avaliados em conjunto, pois cada um restringe a adequação do método.
Esses critérios de decisão estabelecem a adequação conceitual necessária para a seleção do método antes que as evidências, o rigor e a viabilidade sejam avaliados.
Os três critérios são interdependentes, e não caixas de seleção isoladas: alterar a pergunta pode modificar a função pretendida ou os limites adequados da revisão, enquanto alterar seu propósito ou escopo pode restringir ou ampliar o conjunto de métodos adequados.
Logo, os critérios precisam ser interpretados em conjunto ao avaliar um método de revisão.
Três filtros iniciais
Esses critérios orientam a seleção do método sem substituir as descrições detalhadas dos tipos de revisão de literatura ou de seus procedimentos individuais.
Uma vez estabelecida a adequação conceitual, a adequação do método pode ser avaliada com base na base de evidências, no rigor exigido e na viabilidade prática.
A pergunta de pesquisa restringe o que um método de revisão adequado deve ser capaz de responder.
Sua amplitude e o tipo de resposta buscada alteram as demandas impostas à síntese de evidências e, portanto, afetam a adequação do método.
A forma da pergunta altera a carga da síntese de evidências de várias maneiras; essas características devem ser tratadas como critérios, e não como atribuições fixas de método.
Por exemplo, uma pergunta focada em eficácia pode ser compatível com uma síntese estruturada de evidências, enquanto uma pergunta ampla de mapeamento de evidências pode exigir uma abordagem que caracterize o alcance e a distribuição das evidências disponíveis.
Escolher um método a partir dessas características é diferente de aprender a formular a pergunta de pesquisa; o critério relevante aqui é como a forma da pergunta altera as capacidades exigidas do método de revisão.
O propósito da revisão deve orientar a escolha do método, pois define a função pretendida que a revisão deve desempenhar, e não apenas seu tema.
Diferentes resultados pretendidos criam diferentes exigências metodológicas, embora a adequação do método possa depender das evidências disponíveis e do contexto disciplinar.
As principais distinções de propósito podem ser organizadas pela capacidade que um método de revisão deve oferecer.
Por exemplo, duas revisões podem abordar o mesmo tema, enquanto uma busca uma resposta focada e a outra visa mapear as evidências disponíveis.
O tema compartilhado não torna suas exigências metodológicas idênticas, pois cada função pretendida impõe diferentes demandas à revisão.
O propósito da revisão deve orientar as capacidades exigidas na escolha do método, mantendo-se consistente com a pergunta de pesquisa.
O escopo da revisão de literatura afeta a adequação do método porque sua amplitude e profundidade alteram a carga metodológica de cobrir e sintetizar evidências.
Um escopo mais amplo aumenta a exigência de cobertura, enquanto limites de revisão mais restritos podem sustentar uma síntese mais profunda de uma base de evidências mais estreitamente definida.
O escopo é multidimensional, logo a escolha do método deve considerar como suas principais dimensões alteram a cobertura e a síntese exigidas.
A cobertura exploratória ampla coloca maior ênfase no mapeamento e na caracterização de um conjunto de evidências, enquanto um escopo restrito pode sustentar uma síntese mais aprofundada dentro de limites definidos.
Esse contraste afeta a adequação do método sem tornar um escopo amplo ou restrito automaticamente equivalente a qualquer método de revisão nomeado.
Usar o escopo como critério de seleção é distinto de definir o escopo da revisão de literatura em detalhes.
Os critérios de seleção do método determinam qual método de revisão é adequado para a pergunta de pesquisa e o escopo.
Os critérios de inclusão e os critérios de exclusão, por sua vez, governam a elegibilidade dos estudos após a definição da abordagem de revisão e da pergunta.
Os dois conjuntos de critérios operam, portanto, em etapas distintas de decisão.
A comparação separa a decisão estratégica sobre o método de revisão das regras posteriores de seleção de estudos aplicadas durante a triagem.
Propósito, momento, exemplos e consequências esclarecem o que cada conjunto de critérios decide.
| Ponto de comparação | Critérios de seleção do método | Critérios de inclusão e exclusão |
|---|---|---|
| Propósito | Determinar qual abordagem de revisão é adequada para a pergunta que a revisão deve responder. | Determinar quais estudos individuais são elegíveis para entrar na revisão. |
| Momento | Aplicam-se ao escolher e justificar o método de revisão. | Aplicam-se após a definição da abordagem e da pergunta de pesquisa, inclusive durante a triagem. |
| Exemplos | Adequação à pergunta de pesquisa, ao propósito da revisão e ao escopo. | Data de publicação, idioma, população, contexto ou desenho de estudo. |
| Consequência | Afetam a justificativa metodológica para a escolha da abordagem de revisão. | Afetam quais estudos são incluídos ou excluídos da base de evidências. |
Confundir esses conjuntos de critérios pode fazer com que um método de revisão pareça justificado por filtros processuais de elegibilidade, e não por sua adequação à pergunta de pesquisa.
Manter as etapas de decisão separadas preserva a justificativa metodológica, deixando os critérios de inclusão e os critérios de exclusão para governar a elegibilidade dos estudos.
Depois da adequação conceitual à pergunta, ao propósito e ao escopo, avalie se o método também é executável diante das características das evidências, do rigor e da transparência exigidos e das restrições práticas.
A adequação do método depende tanto da compatibilidade metodológica quanto da viabilidade prática, e não apenas da conveniência ou da intensidade de recursos.
A viabilidade pode restringir como um método adequado é executado ou qual opção adequada é selecionada, mas não deve substituir a capacidade do método de responder à pergunta da revisão.
As avaliações a seguir examinam evidências, rigor e viabilidade como dimensões separadas da adequação de execução.
A base de evidências afeta a adequação do método porque sua amplitude, maturidade, densidade e heterogeneidade limitam o que uma revisão pode realisticamente sustentar.
Um corpo de evidências estabelecido e coerente pode permitir uma síntese mais focada, enquanto uma literatura emergente ou desigual pode favorecer uma caracterização mais ampla antes que uma síntese mais restrita seja viável.
Amplitude e maturidade são atributos distintos; portanto, a base de evidências deve ser avaliada em vários estados, e não tratada simplesmente como grande ou pequena.
Como o estado das evidências muda a decisão
Por exemplo, um campo emergente com evidências esparsas e heterogêneas pode ser mais adequado inicialmente para mapear as evidências existentes do que para forçar uma síntese estreitamente focada.
A implicação é condicional: as características da base de evidências moldam o que um método pode realizar de forma confiável, mas não substituem a avaliação separada da qualidade das fontes.
O tipo de evidência afeta a adequação do método porque resultados quantitativos, achados qualitativos, evidências mistas, estudos empíricos e material conceitual impõem demandas de síntese diferentes.
O critério decisivo é se o método consegue combinar o material relevante preservando as diferenças que importam; o tipo de evidência, isoladamente, não determina o método.
Por exemplo, uma revisão que combina resultados estatísticos, relatos qualitativos e modelos conceituais concorrentes necessita de capacidade integrativa entre essas formas de evidência, e não de uma dicotomia simples entre qualitativo e quantitativo.
Avalie se a abordagem pode fornecer os controles metodológicos e a documentação necessários, lembrando que a importância de cada controle varia conforme o propósito, a disciplina e o uso esperado.
O rigor e a transparência exigidos devem corresponder à pergunta, ao uso pretendido e à força das afirmações que a revisão precisa sustentar.
A adequação do método depende se a abordagem de revisão pode fornecer os controles metodológicos e a documentação apropriados para essas afirmações.
Rigor metodológico não é o mesmo que complexidade processual; adicionar mais etapas formais não torna um método mais adequado por si só.
As diretrizes de relato podem apoiar a transparência e a documentação, mas não determinam independentemente qual método de revisão deve ser selecionado.
A escolha do método deve permanecer vinculada às afirmações pretendidas da revisão, com as exigências de relato aplicadas como uma consideração separada.
A viabilidade afeta se um método de revisão conceitualmente adequado pode ser executado de forma confiável dentro do tempo, dos recursos, da capacidade da equipe, do acesso a bases de dados e do conhecimento metodológico disponíveis.
Essas restrições práticas devem moldar o plano de execução sem substituir a adequação à pergunta de pesquisa, ao propósito da revisão e ao escopo.
Restrições rígidas de viabilidade devem ser distinguidas de preferências, pois apenas restrições que ameaçam a execução confiável justificam o ajuste do delineamento.
Por exemplo, um projeto com prazo fixo e conhecimento metodológico limitado pode precisar de um escopo mais restrito ou de um plano de execução revisado, e não de um propósito de revisão diferente.
A viabilidade restringe como o trabalho é delineado e entregue, enquanto a adequação metodológica permanece a base para a seleção do método.
Um quadro de decisão restringe os métodos candidatos em sequência: primeiro testa a adequação conceitual, depois as evidências, o rigor, a viabilidade e, por fim, o alinhamento do delineamento como um todo.
Cada ponto de verificação indica se o candidato deve ser mantido, eliminado ou reavaliado; o processo organiza critérios, mas não cria uma pontuação universal.
Sequência de decisão
A validação é o ponto de verificação final porque um método pode passar em testes individuais e ainda assim entrar em conflito com o delineamento da revisão quando considerado como um todo.
O quadro restringe e valida os métodos candidatos sem substituir as diretrizes de relato, os protocolos ou o planejamento operacional posterior.
Uma escolha defensável deve prosseguir para a implementação somente após esse alinhamento final ter sido estabelecido.
Um método candidato deve ser eliminado quando não consegue responder à pergunta de pesquisa ou sustentar o propósito e o escopo pretendidos da revisão.
A eliminação deve ser baseada na incompatibilidade funcional, e não no fato de um método ser desconhecido, exigente ou incomum.
As regras a seguir identificam conflitos que impedem um método candidato de desempenhar a função de revisão exigida.
Por exemplo, rejeitar uma abordagem de mapeamento amplo é justificado quando a revisão exige uma síntese avaliativa estritamente focada, e não meramente porque outro método é mais familiar.
Aplicar regras de eliminação dessa forma deixa apenas métodos candidatos que permanecem funcionalmente compatíveis com a pergunta de pesquisa, o propósito da revisão e o escopo.
Compare todos os métodos pré-selecionados pelos mesmos critérios: adequação à pergunta, ao propósito e ao escopo, compatibilidade com as evidências, rigor, viabilidade e resultado esperado.
Quando uma característica de um candidato não estiver estabelecida, registre a limitação em vez de presumir uma diferença.
| Critérios de comparação | Método candidato A | Método candidato B | Método candidato C |
|---|---|---|---|
| Adequação à pergunta | Avaliar se o método pode produzir o tipo de resposta exigido. | Avaliar se o método pode produzir o tipo de resposta exigido. | Avaliar se o método pode produzir o tipo de resposta exigido. |
| Adequação ao propósito | Avaliar se o método sustenta a função pretendida da revisão. | Avaliar se o método sustenta a função pretendida da revisão. | Avaliar se o método sustenta a função pretendida da revisão. |
| Adequação ao escopo | Avaliar a compatibilidade com a amplitude, profundidade e limites exigidos. | Avaliar a compatibilidade com a amplitude, profundidade e limites exigidos. | Avaliar a compatibilidade com a amplitude, profundidade e limites exigidos. |
| Adequação às evidências | Avaliar se o método pode sintetizar as características de evidências relevantes. | Avaliar se o método pode sintetizar as características de evidências relevantes. | Avaliar se o método pode sintetizar as características de evidências relevantes. |
| Rigor e transparência | Avaliar se os controles metodológicos e a documentação exigidos podem ser sustentados. | Avaliar se os controles metodológicos e a documentação exigidos podem ser sustentados. | Avaliar se os controles metodológicos e a documentação exigidos podem ser sustentados. |
| Viabilidade | Avaliar se o método pode ser executado de forma confiável sob as restrições aplicáveis. | Avaliar se o método pode ser executado de forma confiável sob as restrições aplicáveis. | Avaliar se o método pode ser executado de forma confiável sob as restrições aplicáveis. |
| Resultado esperado | Identificar a forma de síntese ou resultado da revisão que o método produziria. | Identificar a forma de síntese ou resultado da revisão que o método produziria. | Identificar a forma de síntese ou resultado da revisão que o método produziria. |
A compensação relevante para a decisão é se os pontos fortes e as limitações de cada método estão alinhados com o contexto específico da revisão, e não se um deles tem a lista de verificação processual mais longa.
Quando essas abordagens permanecerem na lista de pré-selecionados, pode ser útil comparar revisões sistemáticas, narrativas e de escopo usando a mesma base de comparação.
A adequação contextual deve determinar qual candidato está melhor alinhado com os requisitos da revisão, sem implicar um vencedor universal.
A adequação metodológica deve permanecer alinhada à pergunta de pesquisa e ao propósito da revisão mesmo quando restrições práticas tornam a execução mais difícil.
A viabilidade pode exigir ajuste de escopo, alterações de cronograma ou mudanças de recursos, mas não deve justificar a seleção de um método que não consegue sustentar a função pretendida da revisão.
As compensações devem distinguir requisitos metodológicos inegociáveis de variáveis práticas que podem ser legitimamente revisadas.
O que preservar e o que pode ser ajustado
Por exemplo, se o método mais adequado não puder ser concluído de forma confiável dentro do cronograma disponível, restringir o escopo pode preservar tanto a pergunta de pesquisa quanto o rigor exigido.
A compensação legítima é, portanto, um ajuste no escopo, no cronograma ou nas condições de execução, e não uma mudança para um método que não se adequa mais ao propósito da revisão.
O método selecionado deve passar por uma validação final de alinhamento antes que o planejamento da busca ou outras escolhas operacionais sejam fixadas.
A validação verifica se o método permanece coerente com a pergunta de pesquisa, o propósito da revisão, o escopo, as características das evidências, o rigor, a viabilidade e o resultado pretendido da revisão.
Verificação final antes de executar
Qualquer resultado negativo ou que precise de revisão indica que o método ou o delineamento da revisão deve ser reconsiderado antes que as escolhas operacionais sejam definidas.
Uma vez que o alinhamento seja satisfatório, o método selecionado está pronto para orientar a estratégia de busca da revisão de literatura e o planejamento subsequente.
Essa verificação final mantém a execução posterior ancorada em uma escolha metodológica defensável e internamente coerente.